ANÁLISE FILOSÓFICA DE EXPRESSÕES PLÁSTICAS DE IRLEY DE JESUS LEAL: UMA ESTÉTICA EM CONSTRUÇÃO

Helânia Thomazine Porto, Zamith França Neto

Resumo


O artista baiano Irley de Jesus Leal com seus pincéis revela detalhadamente todos os “poros e nuances” de quem ou do que se propõe pintar. Na criação de imagens que enganam as nossas percepções, apreendemos a sua energia, espiritualidade e sensibilidade; a sua estética. Por apresentar precisão na captação das imagens e na reprodução das mesmas, a sua arte tem sido classificada como hiper-realista. Apesar dessa classificação ser acolhida pelo artista, problematizamos sobre o hiper-realismo enquanto estética. Há como categorizar o conhecimento intuitivo do artista no processo de criação? A apreensão das coisas, das luzes, das formas, das pessoas e dos movimentos pelo artista pode ser considerada como um afastamento da realidade? O que tem provocado a produção artística de Irley? A compreensão da Estética de Irley foi metodologicamente construída em dois momentos, primeiramente, por meio de uma breve abordagem conceitual, ao estabelecermos aproximações com as reflexões de Platão, Aristóteles, Kant, Baumgarten, Hegel e Dufrenne e, em um segundo momento, nas análises de algumas telas que constituem as coleções “Mulheres invisíveis” apresentadas na exposição “Através dos Outros” e “Natureza” da exposição “Fragmentos da Natureza”. Assim, este texto tem por objetivo entender o devir a ser que se reflete na arte, a partir de análise da visão de mundo de quem materializa um evento cultural em expressões plásticas. Portanto, a proposta deste estudo foi refletir, no contexto das artes plásticas de Irley, alguns princípios que tem orientado os modos de apreensão e de experimentação estética, em que as dimensões criativas, intuitivas, cognitivas e comunicativas impõem-se como pilares de conduta para a recepção estética, por compreendermos que a experiência estética não busca o conhecimento lógico, medido em termos do “real” ou “irreal”, da “verdade” ou “ficção”, ou ainda do “belo” ou do “feio”, defendendo, assim, a evasão da perspectiva positivista em que a reprodução fidedigna do “real” seja o aspecto apreciativo da recepção estética de expressões plásticas.

Palavras-chave


Estética; Recepção estética; Artes Plásticas; Irley de Jesus Leal

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