DAS TELAS DE CINEMA À TERRA QUE SE FAZ TINTA: UNGULANI BA KA KHOSA ENTRE AS ESTÓRIAS DE MOÇAMBIQUE E A HISTÓRIA MOÇAMBICANA

Vanessa Ribeiro Teixeira

Resumo


Ungulani Ba Ka Khosa, evoca, ao longo de 25 anos de produção literária, as diversas faces de Moçambique ao longo da história. Por vezes, o mote da releitura histórica são as narrativas que propõem a aproximação com um passado distante, destacando o esfacelamento de regimes totalitários, como em Ualalapi (1987), ou a pluralidade cultural moçambicana, desafiadora dos preconceitos coloniais, evidenciada em Choriro (2009), ambos voltados para o século XIX. Outras vezes, os textos contemplam um passado mais recente, maculado pela insidiosa desarmonia entre os projetos utópicos e as práticas governamentais. Ao longo das linhas de Entre as memórias silenciadas, título publicado no ano de 2013, Khosa traz a público uma nova proposta de reconfiguração alegórica da história moçambicana. A ousadia da obra fica patente quando percebemos o exercício intertextual resultante da retomada e reescrita de outro texto de sua autoria, No reino dos abutres, publicado em 2002. Após uma década, o escritor moçambicano reinventa e aprofunda questões vislumbradas no livro de 2002, entre elas a conflitante convivência entre as tradições e a modernidade no território moçambicano. As memórias reconstruídas se abrem para um diálogo inter-artes, donde se destacam a presença do cinema no cotidiano de Lourenço Marques ou as referências às artes plásticas, sobretudo à pintura de Bertina Lopes, no espaço caótico representado pelo campo de reeducação, um fantasma que assombrou a sociedade moçambicana anos após a conquista da Independência. Nossa leitura propõe analisar o devir dessas referências a outras artes como estratégias de releitura alegórica da história de Moçambique.

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